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A A(DORA)ÇÃO PELA
MAGIA DA COR E FORMA
De nome Dora Barão, esta noviça
das artes plásticas de signo Escorpião, nasce a
11 de Novembro de 1960 em Ponta Delgada em S. Miguel, Açores.
Emigra com a sua família para o Canadá aos 11 anos
de idade, em Julho de 1972, pois, nesses tempos, as dificuldades
económicas que assolavam as ilhas impeliu esta família,
como tantas outras, a procurar melhor futuro no Novo Mundo. Optam
pelo Canadá, onde têm familiares em Toronto e Montreal,
mas é nesta última cidade que acabaram por se radicar.
Logo após a sua chegada a Montreal, Dora ingressa na escola
francófona Jean Jacques Olier. Continua os seus estudos
e, mais tarde, chega a frequentar o curso médio (College)
de Economia e Contabilidade. Emprega-se no Laurentian Bank onde,
ainda hoje, 23 anos mais tarde, supervisiona a Gestão de
Vendas de seis dependências. O seu emprego exige muito e
Dora veio procurar o relaxamento e um espaço para estar
consigo própria na arte. "Andava a procura de uma
actividade para me distrair.", diz-nos Dora., "Quando
pinto, esqueço-me de tudo..."
Há muitos anos desta parte, Dora é habitue nas
galerias de arte de Montreal e arredores. A pintura sempre a fascinou.
Começou a vê-la surgir, nos últimos anos,
por mão de portugueses da Comunidade de Montreal. Seguiram-se
as exposições de arte lusa por aquelas terras, embora
em fase ainda embrionária. Ao ver os trabalhos de seus
conterrâneos, Dora começou a sentir o chamamento
da pintura, gradualmente lançando a si mesma o desafio
de dominar, um dia, esta forma expressiva.
Finalmente, conhece, há sensivelmente quatro anos, a pintora
lusa, Mercês Resendes dos Reis, que promove, por esta altura,
um curso de pintura na Casa dos Açores de Montreal, no
qual a Dora veio a integrar-se. O curso, que teve o seu início
em 2000, durou aproximadamente dois anos e meio. O programa incidiu
sobre o desenho livre inicialmente, mas, sobretudo, na pintura
a óleo, isto é, natureza morta, flores e a pintura
paisagística. Os últimos módulos do curso
foram dedicados ao aperfeiçoamento do estilo próprio
dos alunos. Dora cedo descobre que tem apetência e preferência
pela pintura de flores, paisagens, as casas de pedra dos Açores
e a alvura das casas algarvias e alentejanas com seus alegres
e coloridos beirais.
Embora no curso tenha feito algumas incursões no campo
da pintura abstracta, Dora diz preferir o realismo e, conforme
fora encorajada pela sua mentora, procura as temáticas
no seu imaginário ou em fotografias que lhe despoletem
a criatividade.
A Casa dos Açores de Montreal foi o primeiro local em
que Dora exibiu os seus trabalhos nas três exposições
colectivas de fim de ano dos alunos de D. Mercês dos Reis.
Este acontecimento cultural foi deveras inovador e algo insólito
para comunidade portuguesa daquela cidade, pois todos os seus
pintores tiveram de recorrer a aulas fora do seio desta, com artistas
plásticos canadianos. Desde a sua primeira edição
há três anos, esta exposição anual
de arte da Casa dos Açores tem sido um enorme sucesso,
com uma forte aderência e aceitação por parte
da Comunidade Portuguesa de Montreal.
Falou-nos Dora ainda da satisfação e realização
que sentira ao constatar, mesmo quando aluna, de forma visível
e tangível numa tela acabada, talentos que até ali
desconhecera. Disserta alegre e empenhadamente sobre os laços
afectivos que se criam entre a obra e o artista, de como, por
vezes é difícil desvincular-se de uma tela quando
a tem de vender. Reconhece, todavia, que, uma vez emergida do
ser e dos eflúvios criativos de um artista, uma obra de
arte é pertença do mundo, e que o seu criador tem
a obrigação ética e moral de a compartilhar
com os demais. Fala-nos da unicidade de cada obra de pintura.
Seguiu-se, ainda em 2001, mais uma exposição no
Centro Comunitário Português de Laval, uma cidade
nas proximidades de Montreal, e uma outra mais recente no Laurentian
Bank onde trabalha.
Em 2003, é convidada a participar no 17° Ciclo de
Cultura Açoriana, onde estiveram patente ao público
torontino, mais especificamente à comunidade portuguesa
local, vários quadros seus, tendo Dora aqui recebido algumas
propostas para futuros certames nesta cidade.
Embora a pintura tenha entrado em sua vida aos quarenta anos
de idade, Dora Barão é da opinião que nunca
é tarde para iniciar algo de novo.
"...Quando regressava das aulas de pintura, não dormia
à noite, porque sempre que começava um quadro, o
via já terminado na minha mente. Então, durante
a noite, imaginava que cores iria utilizar. Por vezes, já
tinha empregado uma determinada cor num quadro, mas durante a
noite, ao meditar sobre a tela, chegava à conclusão
que não iria funcionar, e que teria de a alterar. Levantava-me
e dirigia-me ao aposento onde pinto, apagava tudo e recomeçava.
Por vezes, o meu marido tinha de me vir chamar ás quatro
ou cinco da manhã..."
Não obstante Dora não se afinizar com o abstracto,
a pintora, dos mestres, foca a sua paixão pelo célebre
autor de Guernica, o cubista espanhol Pablo Picasso, confessando
que nenhum outro a cativou tanto e tão profundamente.
Os seus projectos incluem a aprendizagem e aperfeiçoamento
de outras técnicas e outros meios tais como a aguarela,
e a acima de tudo, continuar a dar cor e forma aos anseios do
seu espírito onde, naquilo que pinta, reside, de forma
irremediável e incontornável, a sua matriz açoriana.
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