|
Por Berardo Pinto Pereira
As caixas fechadas
Janelas nas paredes congeladas.
As portas circundaram
Nos seus apoios
O mutismo magoado exageram.
O sofá, a cadeira e a mesa
Com os braços abertos te esperam!
O assoalho enterra os ruídos do dia;
E todo o ambiente rola nas trevas taciturnas.
É um abismo:
E a minha alma muda: em pranto e calada
Jorra dentro dela um bálsamo fogueiro,
Rolando num atroz despenhadeiro,
Talvez, ante o altar do deus Nada!
Sim! Quando ia rolar nessas trevas taciturnas,
Quando eu sentia já esse bafo das furnas,
Que gela a epiderme e inteiriça de horror
Quando nada no abismo a queda me sustinha,
Silenciosamente um olhar floriu: Senhora Minha.
Quem me dera ouvir uns murmúrios dessa Flor,
E assim iluminar as trevas dessa noitinha.
© Berardo Pinto Pereira
14 de Novembro de 2002
Trinidad, Tobago
|