topo
linha2

Fotogaleria

 
» Home » Crónicas e Artigos » Sólido e Gasoso


Entre o sólido e o gasoso...


LÂMINA d’ÁGUA

Maria Cristina Oliveira (Texto)
Roberta Tenório (Revisão de texto)
Felipe Covalski (Foto)
Correspondentes de Adiaspora.com (Brasil)

 

Por vezes, olhar a paisagem da minha janela me prendia completamente. Hipnotizada... Nas noites de lua cheia, passava horas a admirar a grande folha aparentemente estática, banhada de prata. Água instiga meu poder de criação ao mesmo tempo em que me acalma e me leva para longe do meu mundo real. A lâmina d’água gera em mim, encantamentos e me conduz para outra dimensão. Sonho...

Costuma-se dizer que as mulheres são todas sonhadoras. Não sei se sou assim por não fazer dos meus sonhos, fantasias reais. Eles são sonhos, apenas, e não os transporto para o meu dia a dia. São como brinquedos de valor especial, do tipo que se guarda escondidos dos olhos sedentos dos que transitam à nossa volta. Brinquedos que acalmam e divertem. Por vezes, eles embalam e acalantam momentos solitários e é neles que me perco a desenhar imagens que não se concretizarão e nem ousaria pensar de outro modo por saber da minha posição na vida e de minhas condições nela.

E aí, por acreditar no domínio das minhas vontades e disciplina diante dos meus sonhos, num momento de curiosidade quase infantil e com pouco cuidado, me vi a brincar com o desconhecido e a tentar desvendar as perguntas que brotavam espontaneamente...

Na aparente desordem de meus pensamentos, surgiu por fim e com forma humana, o sonho... Aquele que, entre devaneios e ócio, nos mantém longe do inconsciente, mas tampouco próximos da realidade. 

Talvez se existissem outros sinais, não me tivesse envolvido ou quem sabe até, nem me teria chamado à atenção, mas não... Havia algo mais além das letras, da voz, da figura até mesmo um tanto estranha e da minha vontade infantil e crescente de saber quem poderia estar escondido atrás da imagem nebulosa.

Com sinais evidentes, transparentes de um sonhador contumaz, arrisquei experimentar, ousar, averiguar... E lá estava ele... Instigante e docemente envolvente, como que a sondar, munido da previdente cautela diante do desconhecido, mas de certo modo, numa agradável revelação. E embora sempre indecifrável e indefinida, ainda assim eu acreditava tratar-se de uma situação totalmente dominável... Ah! Os sonhos! Eles até existem e por vezes, acontecem, mas há que sabermos decifrá-los... Podem surgir envoltos em brumas, como aquelas que entram mansas ao cair da tarde, encobrindo a lâmina d’água e a nos confundir onde está o limite que separa a tênue linha entre o líquido e o gasoso e onde um docemente invade o outro.  Invasão permitida, desejada... A invasão do sonho na realidade ainda que fantasiada. O vulto tomando forma e a invadir a pequena fresta que por um esquecimento qualquer, deixei aberta...

E mesmo sabendo que sonhos jamais poderão ser sólidos, é que passei a singrar - ainda que cautelosamente - por águas borbulhantes, onde o risco de naufrágio fazia-se sempre presente e então, entre a realidade e o devaneio, o sonho acabou por transformar-se  em fragmentos...

E sonhar é romper limites, fortalecendo a busca por novas idéias e ideais e seguirei levando os sonhos como guia e estímulo para um novo horizonte...

 

Voltar para Crónicas e Artigos

bottom
Copyright - Adiaspora.com - 2007