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DIA DE CULTURA ERUDITA E VISITA A UM LOCAL HISTÓRICO
MARCARAM O DIA DE SÁBADO (20)

É certo e sabido que todo e qualquer programa pode vir a ser alterado por motivos imprevistos. Foi o caso deste sábado. As visitas de Carlos César às autoridades do Governo Departamental e à Junta Local Autónoma e Efectiva de San Carlos, marcadas para as 11h00 foram canceladas. Depois de uma longa espera pela comitiva, vinda de Montevideu, visitou-se um local histórico de rara beleza natural, a Plaza Islas Azores, um rio entre frondosas árvores onde as famílias açorianas, escorraçadas de Sacramento, fizeram com todos os seus haveres e pertences, a travessia a vau, com carroças e animais. Na parte mais descoberta do terreiro, virado a oeste, encontram-se alguns marcos a marcar o local e até um mapa do arquipélago em azulejos portugueses. Mais histórica que bonito, o terreiro nem por isso deixa de emocionar quem o visita pelo simbolismo e testemunho vivo da epopeia dos Azoreños.

Dali, após uma breve cerimónia, se dirigiram as pessoas e as comitivas para o Museu Regional Carolino, albergue de um importantíssimo acervo de ferramentas de trabalho e documentação, armas e documentos a perpetuarem a história do Departamento de Maldonado onde as nossas gentes se estabeleceram e distinguiram ao longo dos séculos.
Houve no salão central uma sessão solene com discursos de ocasião mas, e sobretudo, marcada pelo que consideramos o acontecimento cultural erudito mais bem conseguido do programa.  A mestre Cecília Suárez dissertou sobre as vivências açorianas, houve temas musicais açorianos interpretados pelos guitarristas Nicolás e Adriana Britos. Mas foi a poesia dos poetas açorianos, Ivo Machado e Sidónio Bettencourt, que mais encantaram a audiência, lendo eles próprios, alternadamente, os seus versos.
E porque poemas e fotos são uma combinação privilegiada – e o autor destas linhas tem disso experiência – a exposição de fotografias “9 Ilhas dos Açores”, já reunidas em livro, da autoria de Luís Barra (Santa Maria), Luís Ramos (São Miguel), Daniel Rocha (Terceira), José António Rodrigues (Faial), Pedro Letria (São Jorge), Bruno Portela (Pico), Gonçalo Rosa da Silva (Corvo), Luís Vasconcelos (Flores) e José Manuel Ribeiro (Graciosa) - estando este presente em representação dos colegas) assim se chegou ao fim da tarde da melhor maneira possível.

Foi aqui que os Açorianos atravessaram a vau para San Carlos .......... O Testemunho

E isto porque, as horas se passavam rápidas e céleres. Ainda havia résteas de sol quando Carlos César e sua comitiva chegaram à sede de “Los Azoreños”, para a visitarem longamente.

.........Dra. Alzira Serpa, Dr. Fernando Elias .........O Prefeito de São José (Brasil) agradecendo o convite
........o Pres. dos Azoreaños e Carlos César
..................na sede da Associação

Na biblioteca que leva o nome da Dra. Alzira Serpa Silva, Directora Regional das Comunidades e impulsionadora desta visita, o Presidente passou à olaria, ainda por finalizar – não é só aqui que o dinheiro escasseia para as coisas culturais – e prometeu ajudar a terminar as obras da sede da Associação. O que veio a repetir na altura dos discursos oficiais, de que salientamos uma só frase, a única que não nos pareceu circunstancial, ao deixar bem claro que o seu governo “apoiaria vivamente, singularmente e preferencialmente, todas as iniciativas das Casas dos Açores espalhadas pelo mundo ou, na ausência destas numa determinada comunidade, a ajuda à instituição principal que lá existir... até haver Casa dos Açores...” A bom entendedor...

Museu de San Carlos de Maldonado

Procedeu-se depois ao descerramento de uma placa alusiva à passagem do ilustre visitante e à entrega do prémio “Florência Fajardo Terán” por parte do júri de um concurso de ensaio histórico. Daniel Santos Moreira apresentou-se como “poeta de nuestras cosas tradicionales”, houve um momento belíssimo de tango e milonga por María Eugénia e Juan Ramón, danças tradicionais do Uruguai pelo grupo “Los Azoreños” e mais algumas das mais belas interpretações tocadas e dançadas a rigor pelos dois grupos da CAERGS de Gravataí. Que repetiram a subida ao palco com os trajes açorianos, intercalando os cantares e bailares nas três culturas (açoriana, gaúcha e uruguaia) de que são herdeiros de direito e de facto.

................Poeta Ivo Machado ............................................Poeta Sidónio Bettencourt.................

Por motivos técnicos, apenas actuou no palco do velhíssimo Teatro de la Sociedad Unión, meio arruínado e a lembrar nobreza antiga agora sem dinheiro, mas conservando o orgulho do seu passado, apresentou-se apenas o espectáculo “Sueños” numa encenação de luz negra, vinda de Santa Catarina (Brasil).

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UM DOMINGO DE DESCOBERTAS INESPERADAS:
DOS SINOS À DECORAÇÃO EXTERNA ÚNICA
DA IGLÉSIA DE SAN CARLOS DE BORROMEO

Marcada para as 9h30 da manhã, estava a missa solene a que Carlos César havia de assistir. O atraso devido à distância acabou por causar atraso. Pelo que a nossa reportagem aproveitou o hiato para visitar o tempo ainda vazio e a especificidade do seu adro.

Igreja Matriz de San Carlos de Maldonado

Debaixo de frondosas árvores, instalavam-se bancas de artesanato – de boa qualidade e originalidade - produzido por artesãos e artesãs locais que viémos a descobrir serem assistentes sociais e outros animadores culturais da cidade, aproveitando o ensejo da visita dos portugueses.
É aí que somos aproximados pelo pároco local, um simpatiquíssimo homem de meia-idade, bem italiano de origens e porte, que, declinando o seu nome, dizendo apenas ser “António, o padre”, nos facultou sem pedido nosso a chave de acesso às torres gémeas da igreja. Foi um deslumbre para os olhos dos fotógrafos que vivem em nós: um panorama de 360º do mar à longínqua montanha e à planície imensa, as armações de ferro que unem as torres e os sinos antiquíssimos que, em cada quarto de hora se fazem ouvir por toda a quietitude da San Carlos. Mas, e sobretudo, a originalidade de ambas as torres terem um friso decorativo com faiança de porcelana tipo “Delft” (para nós, Companhia das Índias) com pratos incrustrados no estuque e os quatro cantos de cada um dos campanários ostentando jarros de vinho em loiça idêntica. Explicaram-nos que o Bispo de Buenos Aires (Argentina) que exercia o seu ecuménico poder sobre o Uruguai, havia visitado e San Carlos e a igreja decidiu colocar a baixela usada nos banquetes a que presidiu para perpetuar a sua passagem na terra, à vista de todos. Mais do que tudo, de uma rara originalidade e beleza.

O padroeiro San Carlos Borromeo

Durante a missa, já com a presença de Carlos César, autoridades locais, organizadores e público, actuou com muita qualidade, a secção instrumental da CAERGS, uma vez mais sob a direção de Régis Gomes.
Mas as surpresas não ficariam por aí. Nas traseiras do templo, existe um cemitério, como é contumaz em quase todo o mundo cristão. Só que as pedras das sepulturas deste são um historial, um acervo espantoso onde se gravaram, em poucas mas elucidativas palavras, os factos que marcaram as vidas dos mortos que agora assinalam. Palavras mais do que estas não chegam. As fotos irão ajudar os leitores.

Ver fotogaleria - Túmulos

A cantora clássica açoriana, Sandra Medeiros, que a DRC trouxe a San Carlos, deveria ter actuado no sábado à noite, acompanhada pelo pianista, o virtuoso Francisco Sassetti, cujo apelido, por si só o identifica como membro de uma das grandes e mais antigas e respeitadas famílias musicais de Portugal. Como um problema técnico os impediu de actuar, foi só atravessar a praça central da cidade para voltarmos ao vetusto teatro para os ouvir. E valeu a pena. Sandra canta maravilhosamente para além de uma presença em palco a todos os títulos graciosa. Francisco, apesar de muito jovem, é um músico de rara sensibilidade e delicadeza de toque nas nuances mais difícieis que um teclado de piano pode permitir. Menos cansados do que estariam na véspera, não se cansaram os espectadores de aplaudir os brilhantes intérpretes e ali dignos embaixadores da música melhor que se ouve em Portugal.

Trio Romanesca

Finalmente, com toda a gente na cidade de Punta del Este, decorreu numrestaurante italiano um almoço de despedida que reuniu todos os participantes e que culminou com um endiabrado momento de samba com a bateria e as bailarinas do Grupo Folclórico de São José, dirigido pelo “nosso” Adriano de Brito.
A comitiva açoriana já não ficou para o concerto final de encerramento, em San Carlos, e perdeu um grande espectáculo. Mas compreende-se que estando alojado tão longe, e tendo de seguir no dia seguinte a sua viagem, tivesse regressado ao hotel da capital a seguir ao almoço.

...........Adriano de Brito e Fernando Elias .................... Mesa de Fernando Elias no almoço de despedida
...........Começou aqui a aventura de
.............. São José da Terra Firme

A nossa reportagem voltou essa noite a San Carlos. De novo no velho teatro de tábuas de soalho a rangerem e as cadeiras a dançar com o mínimo dos movimentos, deliciámo-nos com a actuação da soprano uruguaia Sandra Silvera, acompanhada da pianista Maria Cristina Pietrazzini. A finalizar um magistral mini-concerto pelo Trio Romanesca, constituído por Beatriz Zoppolo (flauta), Mário Payssé (guitarra clássica) e Carlos Weiske (contabaixo), sendo este último professor do Conservatório Nacional do Uruguai e um dos primeiros especialistas mundiais do instrumento e autor universalmente conhecido de peças para contrabaixo. Um serão inesquecível para todos.No dia seguinte foi o regresso a Florinópolis, sempre de carro, que este escriba aproveitou para, descansadamente, fazer o reconhecimento detalhado das que serão as três últimas etapas da Expedição que Adiaspora.com iniciará a 5 de Outubro de 2007.  E tal como no dia anterior à noite, com visita aos “Los Azoreños e uma visitinha a casa do Washingtom Pereira para lhe acabarmos com o absinto libanês que nos facultou da primeira vez!

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